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· 11 min de leitura

Documentos no brand com Claude Design: como criá-los uma vez e compartilhar com o time

Minha nova marca vivia num PDF. Hoje é uma Skill. Veja como transformei tudo isso num design system, em modelos de proposta e contrato, e num plugin que qualquer um do time instala em duas linhas.

Claude Design · Design system · Branding · Plugin · Marketplace

Já aconteceu com você também: a marca é revisada, você recebe PDFs magníficos, logos em SVG e as guidelines de uso da marca. Material excelente. Aí cabe a você transformar tudo isso em templates úteis para o seu negócio e torná-los acessíveis à equipe.

Porque a identidade da marca não vive no manual — vive na proposta que você manda para o cliente e no contrato que ele assina.

Nosso processo de geração de documentos já tinha evoluído, passando dos templates clássicos no Word e Google Docs para um pequeno script customizado criado por nós — IA para organizar as notas em Markdown, convertê-las em HTML, e Playwright para criar o PDF — resultado: um link para download, fácil de usar em qualquer lugar, localmente ou por um agente na nuvem.

Funciona. Ainda usamos hoje para as notas de reunião e follow-ups.

A limitação principal é que não é flexível na forma: só é possível atualizá-lo modificando o código fonte. Para propostas e contratos já não era suficiente — frequentemente precisam de ajustes, modificações, personalizações que exigem a flexibilidade de um documento Word combinada a um design repetível.

O próximo passo era refazer tudo do zero: do código para um plugin de IA. Ensinei a marca ao Claude uma vez só, transformei isso numa ferramenta e entreguei para a minha equipe.

Três elementos: um design system no Claude Design, uma skill que gera os documentos, e um plugin para distribuir tudo. Em ordem.

O que é o Claude Design

O Claude Design é a ferramenta de design do Claude, ainda em beta. Você acessa pelo navegador em claude.ai/design ou pela barra lateral do app de desktop. Na tela inicial, escolhe o que criar: Slides, Product prototype, Product wireframe, Document, Animation — ou começa a partir de um arquivo existente.

Vale deixar claro desde já: não é Lovable, Bolt ou v0, aquelas ferramentas que geram uma aplicação funcional de uma vez. O Claude Design faz design — estética, layout, identidade visual — não código. Se precisar de software de verdade, passa para o Claude Code. Para meus documentos, eu não precisava de um app. Precisava que eles ficassem certos.

Passo 1 — O design system: onde tudo começa

Por onde começar?

O que realmente importa é o design system — a linguagem visual da marca: cores, tipografia, espaçamentos, componentes, logos. É o que separa um documento que parece seu de mais um resultado genérico de IA. Uma vez criado, tudo que você gerar nasce automaticamente dentro da sua identidade.

No Claude Design você cria o sistema em "Add a design system". Há três caminhos, dependendo do que você tem em mãos:

  • Create here — conecte Figma ou GitHub, ou faça upload de slides e assets.
  • Create using Claude Code — máxima fidelidade se a marca já existe como componentes React na sua máquina.
  • Add fonts, logos and assets — arraste fontes, logos e documentos que descrevem a marca.

O Claude Design oferece várias opções para começar: a URL do seu site já atualizado, um arquivo .fig do Figma, um repositório GitHub com a marca. Eu tinha os PDFs e logos da agência, então usei "Add fonts, logos and assets" e joguei tudo lá — mais o endereço do meu site, que já tinha sido refeito com a nova marca, dando ao Claude fontes e cores "em produção" para usar como referência.

Aí você deixa rodar — e aqui é preciso ter paciência de verdade. Meia hora ou mais. Não é instantâneo porque está construindo o sistema de fato: paleta, escalas tipográficas, espaçamentos, componentes.

No final você tem tudo pronto e selecionável no topo de cada projeto — no meu caso o Arkad Design System. A partir daí, todo design começa dentro da marca certa.

Passo 2 — Os modelos de documento

O design system está pronto. O que gero agora?

Os modelos que realmente uso: proposta, contrato e os outros documentos formais que chegam na mão do cliente. Nada de catálogo teórico — os que você abre toda semana.

Eles saem consistentes entre si porque nascem da mesma linguagem. Documentos rápidos e follow-ups deixei no gerador antigo: lá o fluxo Markdown→PDF funciona perfeitamente. O acabamento importa onde o cliente assina.

Quando fiquei satisfeito, exportei o pacote como .zip: modelos e design system juntos. Esse arquivo é a base para todo o resto.

Exportação do pacote em zip a partir do Claude Design
Exportação do design system e dos modelos em um único pacote .zip — a base para a skill e o plugin.

Passo 3 — Do pacote à skill: teste primeiro em algo real

Agora é o momento de dar ao Claude o arquivo .zip para criar a Skill — as instruções mais os templates que ensinam como produzir um documento Arkad. Para isso funciona tanto Claude Code quanto Cowork. Comecei pelo Cowork porque queria testar imediatamente num arquivo real, com dados reais, não num exemplo inventado.

A primeira rodada foi boa. Não perfeita: alguns detalhes para ajustar, algumas regras para escrever explicitamente em vez de presumir. Sou cuidadoso com texto justificado e linhas bem alinhadas nos documentos — esse tipo de coisa a IA não adivinha, você precisa impor por escrito.

Corrigi a skill, refiz o teste, iterei até que o resultado fosse algo que eu enviaria de verdade para um cliente. Só então bloqueei.

Testar num caso real antes de fechar a skill permite corrigir as imprecisões antes de usá-la de verdade.

Passo 4 — Da skill ao plugin: o porquê, brevemente

Skill pronta, fui para o Claude Code para transformar em plugin.

Por que um plugin e não deixar como skill?

A distribuibilidade — é o motivo número um.

Você pode compartilhar uma skill: manda os arquivos para um colega de equipe, explica onde colocar. Funciona. Um plugin é mais conveniente: você publica uma vez e qualquer pessoa instala com um comando, no próprio computador. Uma vez instalado, fica disponível em qualquer conversa — não só quando você abriu a pasta certa.

Um plugin é uma pasta autossuficiente com uma estrutura específica:

arkad-documents/
├── .claude-plugin/
│   └── plugin.json        # manifesto: nome, versão, descrição
├── skills/
│   └── arkad-documents/
│       ├── SKILL.md        # quando ativar + como gerar o documento
│       └── assets/         # templates HTML + Arkad Design System
└── README.md

O coração é o plugin.json, e pode ser tão simples quanto isso:

{
  "name": "arkad-documents",
  "version": "0.1.0",
  "description": "Gera documentos Arkad (proposta, contrato, auditoria, NDA) na marca oficial",
  "author": { "name": "Arkad Consulting" }
}

Passo 5 — O marketplace

Um plugin instalado no meu notebook resolve o meu problema. Mas a minha equipe também gera documentos, e se o que sai da máquina deles for diferente, voltamos à estaca zero.

Para distribuir o mesmo plugin para todo o time — com atualizações centralizadas — você precisa de um marketplace: um catálogo que lista seus plugins e informa onde encontrá-los. Criei um privado para a Arkad — basicamente um repositório no GitHub com um arquivo marketplace.json:

{
  "name": "arkad",
  "owner": { "name": "Arkad Consulting" },
  "plugins": [
    {
      "name": "arkad-documents",
      "source": "./plugins/arkad-documents",
      "description": "Documentos Arkad na marca oficial"
    }
  ]
}

A partir daí, é simples. No Claude Code são duas linhas — um colega de equipe registra o marketplace uma vez:

/plugin marketplace add Arkad-Agency/arkad-marketplace

e instala o plugin:

/plugin install arkad-documents@arkad

Pronto. Agora todos geram propostas, contratos e outros documentos formais idênticos aos meus, na mesma marca, sem que eu precise mandar arquivos ou explicar qual é a versão correta. Quando melhoro algo — uma cor, uma seção, um novo tipo de documento — atualizo o repositório e na próxima sincronização todo mundo já tem. Um repositório privado é suficiente: é só para nós.

Uma armadilha que vale saber: Cowork e Claude Code são ambientes separados

Aqui tem um detalhe que faz perder tempo se você não sabe. Um plugin instalado no Cowork não está instalado no Claude Code, e vice-versa: os dois ambientes têm seus próprios plugins e marketplaces, gerenciados separadamente. Não há sincronização automática.

E não são apenas dois registros separados — cada ambiente instala do seu próprio jeito. No Cowork tudo passa pela interface: abra Customize → Plugins e clique em +. Dali você escolhe um de dois caminhos — conectar um marketplace (apontando para o mesmo repo Arkad-Agency/arkad-marketplace) ou carregar diretamente um arquivo .plugin. Os dois funcionam, mas eu prefiro o marketplace: quando melhoro o plugin, a atualização chega a todos no refresh seguinte, enquanto um arquivo .plugin é um instantâneo congelado que você teria que redistribuir na mão.

Se mesmo assim você for pelo caminho do arquivo, esse .plugin não tem nada de exótico: é um zip da pasta do plugin, com outra extensão. De dentro da pasta você empacota o conteúdo:

cd plugins/arkad-documents && zip -r -X ../../arkad-documents.plugin . -x "*.DS_Store"

O arquivo arkad-documents.plugin resultante é o que você solta no Cowork. Indo pelo marketplace — no Cowork ou no Claude Code — você nunca o constrói: a instalação monta a pasta direto do repo.

No Claude Code não há interface para isso — são as mesmas duas linhas de cima: /plugin marketplace add Arkad-Agency/arkad-marketplace e depois /plugin install arkad-documents@arkad. O mesmo catálogo que você usaria no Cowork, só que pelo CLI. De todo jeito, precisa ser configurado uma vez por ambiente: cada um da equipe registra onde realmente trabalha — no Cowork, no Claude Code, ou nos dois.

O ponto

Para documentos rápidos o gerador antigo continua, atualizado também para a nova marca: mudar cores e cabeçalho foi suficiente. O código já estava funcionando — não fazia sentido descartar.

Para propostas, contratos e relatórios — onde o acabamento importa e o cliente assina — agora existe o plugin. Instalo com um comando e o documento sai na marca certa, tanto da minha máquina quanto de qualquer pessoa do time.

A mudança foi transformar a skill em algo que se instala, versiona e distribui como qualquer software interno normal.

A partir daí, a consistência deixou de depender de quem lembra de abrir o template certo.

Como usamos hoje: eu e minha equipe escrevemos o conteúdo — proposta, contrato, relatório — em Markdown, dentro do Claude ou Hermes. Quando o conteúdo está validado, passamos para a skill, que aplica o acabamento da marca Arkad. Independente de quem enviar, a estrutura que sai é praticamente idêntica.

O rebranding foi só a ocasião para montar tudo isso.


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